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Luso-Poemas
A ESCOLA DO TERROR
CAPÍTULO 14
THAÍS E O ENCONTRO COM SAFO
A linguagem dos gestos é muito poderosa e eficiente. Com os gestos você convida alguém para ir embora, para almoçar, para meter, e a pessoa responde com os gestos, aceitando, recusando, ou mandando você tomar no cu. Com os gestos você diz muita coisa: diz que alguém é louco, diz não, diz sim, diz talvez, diz que está com fome, diz que vai embora, diz que vai ficar. Com os gestos você manda abraços, manda beijos. Com os gestos você diz quase tudo, sem usar palavra alguma.
A linguagem das expressões pode decidir uma vida. Pode decidir se você terá companhia ou ficará só. Sem falar nada, você conta que está triste, que está alegre, que está com raiva, que está com medo, que está sentindo dor, muita dor, que está com sono, que está em desespero, que está com vontade de morrer.
Há lugares onde não se pode falar e onde o silêncio é a única forma de salvação. Nesses lugares, os gestos também têm que ser evitados e as expressões têm que ficar escondidas. E esses lugares estão por aí, profusamente, e você, quase sempre, está num deles e nem se apercebe, a não ser quando é tarde demais.
O Colégio Interno ficava a uma distância longa, indecifrável, quase infinita, e Thaís transpôs aqueles portões, num final de fevereiro, quatro horas da tarde, absorta em nada, sem ver, dimensionar, nada, dois dias antes do início das aulas. Ali ficaria três anos, ali deixaria a Thaís que entrara e que nunca mais veria. Thaís.
Levava o enxoval exigido pela administração: lençóis, travesseiros, colchas, cobertores, camisolas, calcinhas, sutiãs, caixas de modess para as menstruações, uniformes para as aulas, para a ginástica, sapatos escolares, tênis esportivos, pastas e escovas de dentes, sabonetes, talcos, desodorantes, cadernos, livros, lápis, borrachas, canetas, réguas, compassos, transferidores, tudo.
Foi levada até um almoxarifado onde foi conferido tudo o que trouxera, a maioria ficando numa prateleira e só lhe sendo entregue o essencial: roupa de dormir, uniformes de aulas e de ginástica, roupas de baixo, material de higiene pessoal, roupas de cama, material escolar. O resto ficou retido no almoxarifado, sendo-lhe dado um recibo assinado pela recepcionista.
Foi conduzida para o alojamento das maiores, no quinto andar; no quarto andar ficavam as médias; e no terceiro as menores. As maiores eram as moças do 1° até o 3° colegial e com idades entre 15 a 18 anos. As médias eram as meninas cujas idades iam dos 11 aos 14 ou 15 anos e que cursavam o ginasial. As pequenas eram as meninas que cursavam o curso primário e cujas idades iam dos 7 aos 11 ou 12 anos.
O alojamento de Thaís era um enorme salão retangular, com 100 beliches e com capacidade para 200 moças. Entre cada dois beliches havia um armário de aço, com quatro subdivisões munidas de fechaduras. Cada subdivisão era destinada a uma aluna para a acomodação dos pertences da mesma. As do primeiro anos dormiam nos beliches de baixo, as do segundo e terceiro, nos de cima. As camas eram numeradas e previamente destinadas a cada aluna, sendo proibido quaisquer trocas de camas. Proibido, boa palavra, muitas vezes Thaís a ouviria.
O Colégio ficava num terreno quadrado, de mais de 300 metros de lado, de 100 mil metros quadrados, 10 hectares, situado a uma distância de 80 quilômetros da cidade mais próxima. Além do prédio principal onde ficavam os dormitórios, salas de aula e administração, havia outros prédios, tais como, o ginásio de esportes, o prédio da cozinha e dos refeitórios, o armazém geral, o ambulatório médico e dentário, os laboratórios de ciências, mineralogia, química, física, biologia. Muros altos de seis metros de altura e trinta centímetros de largura cercavam tudo aquilo. Havia guardas noite e dia vigiando todas as entradas e saídas e, à noite eram soltos cerca de vinte cachorros pastor-alemão, altamente treinados. Ninguém entrava ou saía, sem se identificar e sem autorização. Ninguém fugia.
Todas as meninas das primeiras séries tinham que chegar dois dias antes do início das aulas a fim de conhecerem todas as dependências do Colégio e todos os regulamentos. Hora de deitar, hora de levantar, horas das refeições, horários das aulas, horários dos estudos, horários da ginástica e das atividades esportivas. O expediente era de segunda a sábado e, aos domingos, depois da missa obrigatória, visitas dos pais ou parentes, dia livre.
Não havia homens no Colégio, homem nenhum, de espécie nenhuma, só havia mulheres. Até os guardas diurnos e noturnos eram mulheres. Os únicos homens que podiam entrar ali eram os pais e parentes, somente aos domingos, e tudo sob a vigilância feroz, tenaz, meticulosa e incansável das freiras guardiãs. Mistério, mulheres são mulheres, e nada nem ninguém pode com elas, e namoros surgiam. Como? Ninguém sabia! Uma ou outra gravidez de alunas, tudo abafado, escondido, ocultado.
As luzes se apagavam às dez da noite, todas para as camas, e o despertar era às seis da manhã com estridentes campainhas, todas para o banheiro, banheiro coletivo, e Thaís, pela primeira vez na vida conheceu a promiscuidade. Em casa ela tinha o banheiro só dela, na suíte só dela, ninguém mais usava aquele banheiro a não ser ela mesma. No Colégio ela tinha que dividir o banheiro com duzentas moças.
O banheiro tinha cinqüenta pias, uma pia para cada grupo de 4 moças. Tinha cinqüenta privadas, uma privada para cada 4 moças. Tinha cinqüenta chuveiros, um chuveiro para cada 4 moças. As privadas não tinham portas, propositalmente, para evitar que as moças se masturbassem com as portas fechadas. Assim, elas tinham que cagar e mijar ali umas na frente das outras. No início era um constrangimento, cagar, mijar, limpar o cu e a buceta com papel higiênico, e depois lavar os dois buracos no bidê, ali, na frente de todo mundo, com todo mundo olhando. Um horror, uma desolação. Mas, todos se acostumam com tudo, e elas logo se acostumavam e faziam daquilo uma diversão, uma farra. A primeira dessas farras era o concurso de peidos, que no início horrorizou Thaís, mas que, depois, ela passou a participar. A moça que desse o maior número de peidos seguidos ganhava um prêmio. Houve uma que se tornou campeã invicta, ela chegou a dar vinte e sete peidos seguidos, sem interrupção. Foi um Ahhh! geral e depois vieram as palmas, os aplausos ininterruptos. É claro que o fedor dos peidos era de matar, e algumas se esforçavam tanto que acabavam cagando e era logo desclassificada, mas tudo isso fazendo parte da competição. No começo, Thaís não tinha treino algum e dava dois ou três peidos e cagava, sendo, assim, desclassificada. Depois ela andou tomando umas aulas com as mais experientes, aprendeu a apertar o cu, e acabou conseguindo dar quinze peidos seguidos, uma proeza com a qual ganhou uma medalha de terceira colocada.
Nos chuveiros elas ficavam todas nuas e era um desfile interminável de bucetas, cus, tetas, pentelhos, de todos os formatos e feitios. Tetas enormes, monstruosas, algumas inchadas como vacas leiteiras, outras caídas e esparramadas; tetas achatadas, minúsculas, microscópicas, inexistentes. As bucetas, algumas eram peladas, outras eram peludas como bucetas de macacas. Bundas, bundas arrebitadas, bundas gordas, bundas magras, uma meia dúzia no máximo de bundas bonitas, lindas como a dela. “As mulheres”, pensou Thaís, “não usam roupas por vergonha de ficarem peladas, elas usam roupas para esconderem as feiúras”
Cada aluna do primeiro ano tinha uma monitora que era uma aluna veterana das séries mais avançadas. Essa veterana era obrigada a ensinar tudo, tudo, sobre o Colégio, para a aluna caloura. Tinha que ensinar os regulamentos, as proibições, os castigos, e tinha que fiscalizar a caloura em todas as horas e em todos os lugares, e tinha que denunciar a caloura por quaisquer falhas que a caloura praticasse, caso contrário, ela própria, a monitora, seria punida. Era a alcaguetagem, a delação, o denuncismo, obrigatórios e institucionalizados. Sistema perverso de espionagem e opressão, mas inútil e ineficiente, por ser odiado e combatido com ferocidade pelas próprias alunas, e a monitora que o levasse ao pé da letra caía no ostracismo, ninguém sequer olhava ou conversava com ela, e ela acabava por sucumbir diante de tamanho desprezo e isolamento. Thaís logo fez amizade com a monitora dela e esta nunca a denunciou pelos vários deslizes de Thaís.
O refeitório abria às seis e meia da manhã, as meninas tomavam o café, e entravam para as aulas que começavam à sete e meia e iam até à uma da tarde com apenas trinta minutos para o recreio e lanche. Terminadas as aulas, iam para o refeitório almoçar e, às duas da tarde iam para os laboratórios, segundas, quartas e sextas, até às quatro da tarde. Das quatro até as seis, ginásticas, jogos esportivos e natação em piscina coberta. Nas terças e quintas, estudos, das duas até às sete da noite.
As aulas eram dadas só pelas freiras. Não havia professores homens. Só elas. Havia aulas de latim, grego. inglês, francês e alemão, e cada professora era nativa, isto é, a de alemão tinha nascido e estudado na Alemanha, a de francês, inglês, grego, idem. A de latim era italiana e falava o latim fluentemente. As professoras de biologia eram médicas, as de matemática, física e química eram todas engenheiras e, algumas, matemáticas mesmo. Elas todas ensinavam muito bem, mas eram rigorosíssimas e exigentes e notas acima de sete eram raras. Quase não havia reprovações porque as alunas preguiçosas e relapsas eram logo alvo de duras punições, ficando privadas de visitas familiares e tendo que estudar até às dez da noite para se recuperarem.
A primeira aula da manhã começava com cinco minutos de orações que, assim como nas missas dominicais, eram rezadas só e somente só, em latim:
“pater noster, que es in caelis, santicficétur nomen tuum. Advéniat regnum tuum. Fiat volúntas tua, sicutin caelo et in terra. Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie. Et dimítte nobis debita nostra, sicut et nos demíttimus debitóribus nostris. Et ne nos indúcas in tentatiónem : sed libera nos a malo. Amen.”
“ave, maria, grátia plena; dóminus tecum: benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui jesus. Sancta maria, mater dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.”
Thaís aprendeu, aprendeu muito, quando saiu, falava fluentemente, o grego, o latim o alemão, o inglês e o francês. Também dominava a álgebra, a geometria o cálculo diferencial e integral. Aprendeu topografia de campo, mapeamento. Aprendeu física, química, biologia, teóricas, nas salas de aula e práticas, nos laboratórios. Aprendeu Economia, Psicologia, Sociologia, Contabilidade. Praticou esgrima, natação, basquete, equitação. Aprendeu tudo, e era uma das poucas que tirava nota dez em todas as disciplinas. Aprendeu tudo e conheceu SAFO. Conheceu SAFO desde os primeiros dias e aprendeu a amá-la. E amou SAFO para sempre.
SAFO foi uma das maiores, mais inspiradas, mais consagradas poetisas da história humana. Ela era grega, nasceu na ilha de LESBOS, no ano 630 antes de Cristo. Rica, de família milionária e poderosa, teve uma educação profunda e esmerada. Foi apaixonada e amante do próprio irmão CARAXOS, que acabou por abandoná-la para casar-se com uma princesa egípcia, deixando SAFO, desolada e destruída. SAFO escreveu inúmeros livros de poesia da mais alta grandeza e consagrados pelos maiores filósofos e artistas de todos os tempos. Infelizmente, no ano de 1073 da nossa era, as igrejas cristãs, do ocidente e do oriente, mandaram queimar toda a obra de SAFO por considerá-la obscena, pornográfica, com palavras chulas, de baixo calão, e que não engrandeciam a literatura. A DEMONÍACA CENSURA DOS PURITANOS, HIPÓCRITAS, destruiu essa obra grandiosa, restando poucos poemas, encontrados somente no ano de 1895 desta era.
SAFO montou uma Escola para moças, onde ela mesma ensinava Música, Poesia e Dança. As alunas dessa Escola eram chamadas de HETAIRAS (AMIGAS) e SAFO se tornou amante de todas elas e mantinha relações sexuais com todas elas, sendo que foi daí que surgiu o termo LESBIANISMO, para designar o homossexualismo feminino, pois a Escola de SAFO, ficava na ilha de LESBOS, na Grécia. A hetaira preferida, e paixão de SAFO, chamava-se ATIS e, para ela, SAFO compôs poemas imortais. Thaís leu alguns poemas de SAFO em grego. Como ela conseguiu fazer entrar esses poemas ali, num Colégio de freiras, ninguém sabe, mas o fato é que conseguiu, e leu e decorou esses poemas, e se identificou com SAFO.
Chamava-se Melissa, a primeira amante de Thaís no Colégio. Era alta, magra, escultural, corpo de modelo. Nua, parecia uma escultura grega. Cursava o terceiro colegial. Aproximou-se de Thaís com desenvoltura, sem rodeios, e cercou-a de atenções e carinhos, conquistando-a e seduzindo-a num piscar de olhos- Fazia apenas três semanas que Thaís tinha chegado e aconteceu o primeiro beijo, de boca, de língua, de sexo. Thaís se atordoou, se desintegrou, paralisada, muda, sem ação, nem pensamento, apenas arfando, respirando com dificuldade. Meses antes teria dado uma bofetada na cara de Melissa e teria vomitado de nojo, mas ali, naquele momento, não fez nada, surpresa, estupefata.
Eram onze horas da noite, as luzes do alojamento tinham sido apagadas às dez, e só a luz do luar vindo das vidraças e a luz do fraco abajur aceso a noite inteira é que iluminavam o ambiente.
Melissa, todas as noites, após o jantar, vinha acomodar-se na cama dela onde conversavam por horas seguidas, Houve noites em que Melissa chegou a dormir ali, abraçada com ela, como irmãs.
Já há dias que ela vinha roçando as coxas e os seios de Thaís, mas esta preferiu mentir para si mesma que aquilo não era nada. Mas hoje foi diferente, hoje foi o beijo, beijo pegajoso, ardente. Sensual. Thaís sentiu que a buceta estava piscando e que ela estava toda molhada. Melissa enfiou a mão direita por baixo da camisola dela, introduziu os dedos por dentro da calcinha, procurando com sofreguidão os lábios da buceta que começou a acariciar e, em seguida, enfiou os dedos dentro da buceta de Thaís, e a buceta começou a morder aqueles dedos e Thaís começou a gozar sem parar. Melissa tirou-lhe a camisola e, a calcinha deixando-a nua por inteiro. Ficou nua também e deitou-se em cima dela, enfiando as coxas no meio das coxas dela, e esfregando as coxas na buceta dela, enquanto engolia e chupava os seios dela, numa sofreguidão desesperada. Thaís, a princípio só ficou gozando, mas logo começou a participar e a sugar os seios da outra, a beijar-lhe a boca a rebolar feito uma louca. De repente, Melissa enfiou a cabeça no meio das coxas de Thaís e começou a chupar, a sugar a buceta dela, enfiava a língua lá dentro e Thaís chorava de tanto gozar. Trocaram de posição e Thaís chupou a buceta de Melissa, que estrebuchava, rebolava, gemia, e gozava sem parar. Ficaram assim, até de madrugada quando, tombaram e dormiram um sono profundo e só despertaram com o soar das campainhas estridentes.
Tornaram-se amantes e assim permaneceram até a formatura de Melissa, que foi embora no ano seguinte, e nunca mais se viram.
Até então, Thaís não tinha reparado na vida noturna do alojamento escuro, mas a partir daí, começou a prestar atenção e constatou que todas as meninas tinham amantes e que faziam sexo todas as noites. Mulheres, vivendo e aprendendo. Thaís começou a apreciar mulheres, a avaliá-las, a medi-las com os olhos, a desejá-las, a cobiçá-las, a cortejá-las, a seduzi-las. Dona de uma beleza estonteante, Thaís logo arranjou um harém de amantes, que ela escalava para dormir com ela a cada noite. As moças estavam de tal modo apaixonadas por ela que nem mesmo se importavam quando ela estava menstruada e chupavam a buceta dela mesmo assim. Na primeira vez que isso aconteceu, Thaís chegou a levar um susto. A moça estava chupando, chupando, enfiando a língua na buceta dela, e ela gozando e gemendo sem parar. De repente a moça levantou a cabeça e a cara dela estava inteiramente manchada de sangue como se ela tivesse levado um tiro. Thaís chegou a dar um grito de susto, mas depois, viram que era só o sangue da menstruação de Thaís e caíram na risada. A coisa se espalhou e as demais amantes de Thaís faziam questão de chupar a buceta dela quando ela estava menstruada.
Thaís virou lésbica para sempre e nunca, jamais, deu a buceta para homem nenhum. Ela tinha nojo, repugnância de homens. Não do Marlon, é claro, dele não. Dele ela se recordava com saudades e gozava só de pensar nele. Ele tinha ido para a Europa, mas quando ele vinha e eles se encontravam, eles passavam noites metendo desesperadamente. Metendo e sentindo a dor e a angústia da separação. O único homem para quem Thaís deu a buceta dela, toda vez que o encontrava, foi o Marlon, só o Marlon e mais ninguém. O resto da vida amorosa e sexual dela era só com mulheres.
As cartas recebidas e enviadas eram todas submetidas a censura no Colégio. As moças escreviam as cartas, entregavam-nas abertas para as freiras que as liam, e que as rasgavam sem aviso algum à remetente se desaprovassem o que estava escrito. Com as cartas recebidas era a mesma coisa, se o conteúdo fosse desaprovado elas eram rasgadas e a destinatária nunca ficava sabendo de nada. Thaís escreveu inúmeras cartas ao Marlon, isso no primeiro ano, mas ele não recebeu nenhuma, foram todas censuradas e rasgadas. As cartas eram suaves, discretas, cartas de irmã para irmão, mas as freiras, só pelo fato de serem cartas dirigidas a um homem, eram consideradas impróprias, e rasgavam-nas. A partir do segundo ano, Thaís nunca mais escreveu cartas a ninguém, nem mesmo aos pais dela.
Thaís era excelente aluna, mas nunca aceitou as rígidas e medonhas regras do Colégio e, por isso, era considerada rebelde e esteve prestes a ser expulsa. Foi punida com severos castigos. Apanhou muitas vezes, pois naquela época os castigos corporais eram permitidos nos Colégios Internos. Apanhou com palmatória, com vara, com chicote. Dez, era o número mínimo de chicotadas. Diversas vezes foi para o isolamento, um quarto fechado, escuro, isolado das outras meninas, onde comia e dormia e donde só saia para assistir as aulas da manhã, sem direito de assistir as da tarde. Outro castigo era a privação das visitas de fim de semana. Todos os domingos os pais vinham visitá-la, mas se ela estivesse de castigo essas visitas eram proibidas. O pior de todos os castigos era a proibição das férias. As moças tinham férias duas vezes por ano, a saber, durante todo o mês de julho e de quinze de dezembro até primeiro de março do ano seguinte.Para infrações consideradas gravíssimas, as freiras tiravam as férias do mês de julho e para as ultra gravíssimas elas tiravam as férias do final do ano. Thaís chegou a perder uma vez, as férias de julho e esse castigo a chocou tanto que chegou a cogitar de sair do Colégio, mesmo sem se formar. Mas agüentou. Nunca mais se esqueceu disso, mas suportou dia após dia aquele isolamento terrível.
Formatura. A formatura foi sem festa, para ela, que se recusou a participar da cerimônia de entrega do diploma e do grande baile no salão de festas do Colégio. Os pais insistiram, mas ela firmou o pé, pegou o diploma na secretaria do Colégio e saiu por aqueles portões por onde jamais retornaria.
Foram três anos, três longos e intermináveis anos, três anos de uma prisão equivalente a uma internação prolongada num manicômio ou a uma condenação numa cadeia. Três anos em que ela se isolou do mundo e da própria existência, e tudo para fugir de uma tenebrosa maldição, a maldição do INCESTO COM O PRÓPRIO IRMÃO. Tudo inútil, não conseguiu fugir jamais, e mergulhou para todo o sempre numa segunda e igualmente medonha maldição, pois se encontrou e se apaixonou perdidamente por SAFO, a sacerdotisa do amor proibido de uma mulher por outra mulher.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61760
CAPÍTULO 14
THAÍS E O ENCONTRO COM SAFO
A linguagem dos gestos é muito poderosa e eficiente. Com os gestos você convida alguém para ir embora, para almoçar, para meter, e a pessoa responde com os gestos, aceitando, recusando, ou mandando você tomar no cu. Com os gestos você diz muita coisa: diz que alguém é louco, diz não, diz sim, diz talvez, diz que está com fome, diz que vai embora, diz que vai ficar. Com os gestos você manda abraços, manda beijos. Com os gestos você diz quase tudo, sem usar palavra alguma.
A linguagem das expressões pode decidir uma vida. Pode decidir se você terá companhia ou ficará só. Sem falar nada, você conta que está triste, que está alegre, que está com raiva, que está com medo, que está sentindo dor, muita dor, que está com sono, que está em desespero, que está com vontade de morrer.
Há lugares onde não se pode falar e onde o silêncio é a única forma de salvação. Nesses lugares, os gestos também têm que ser evitados e as expressões têm que ficar escondidas. E esses lugares estão por aí, profusamente, e você, quase sempre, está num deles e nem se apercebe, a não ser quando é tarde demais.
O Colégio Interno ficava a uma distância longa, indecifrável, quase infinita, e Thaís transpôs aqueles portões, num final de fevereiro, quatro horas da tarde, absorta em nada, sem ver, dimensionar, nada, dois dias antes do início das aulas. Ali ficaria três anos, ali deixaria a Thaís que entrara e que nunca mais veria. Thaís.
Levava o enxoval exigido pela administração: lençóis, travesseiros, colchas, cobertores, camisolas, calcinhas, sutiãs, caixas de modess para as menstruações, uniformes para as aulas, para a ginástica, sapatos escolares, tênis esportivos, pastas e escovas de dentes, sabonetes, talcos, desodorantes, cadernos, livros, lápis, borrachas, canetas, réguas, compassos, transferidores, tudo.
Foi levada até um almoxarifado onde foi conferido tudo o que trouxera, a maioria ficando numa prateleira e só lhe sendo entregue o essencial: roupa de dormir, uniformes de aulas e de ginástica, roupas de baixo, material de higiene pessoal, roupas de cama, material escolar. O resto ficou retido no almoxarifado, sendo-lhe dado um recibo assinado pela recepcionista.
Foi conduzida para o alojamento das maiores, no quinto andar; no quarto andar ficavam as médias; e no terceiro as menores. As maiores eram as moças do 1° até o 3° colegial e com idades entre 15 a 18 anos. As médias eram as meninas cujas idades iam dos 11 aos 14 ou 15 anos e que cursavam o ginasial. As pequenas eram as meninas que cursavam o curso primário e cujas idades iam dos 7 aos 11 ou 12 anos.
O alojamento de Thaís era um enorme salão retangular, com 100 beliches e com capacidade para 200 moças. Entre cada dois beliches havia um armário de aço, com quatro subdivisões munidas de fechaduras. Cada subdivisão era destinada a uma aluna para a acomodação dos pertences da mesma. As do primeiro anos dormiam nos beliches de baixo, as do segundo e terceiro, nos de cima. As camas eram numeradas e previamente destinadas a cada aluna, sendo proibido quaisquer trocas de camas. Proibido, boa palavra, muitas vezes Thaís a ouviria.
O Colégio ficava num terreno quadrado, de mais de 300 metros de lado, de 100 mil metros quadrados, 10 hectares, situado a uma distância de 80 quilômetros da cidade mais próxima. Além do prédio principal onde ficavam os dormitórios, salas de aula e administração, havia outros prédios, tais como, o ginásio de esportes, o prédio da cozinha e dos refeitórios, o armazém geral, o ambulatório médico e dentário, os laboratórios de ciências, mineralogia, química, física, biologia. Muros altos de seis metros de altura e trinta centímetros de largura cercavam tudo aquilo. Havia guardas noite e dia vigiando todas as entradas e saídas e, à noite eram soltos cerca de vinte cachorros pastor-alemão, altamente treinados. Ninguém entrava ou saía, sem se identificar e sem autorização. Ninguém fugia.
Todas as meninas das primeiras séries tinham que chegar dois dias antes do início das aulas a fim de conhecerem todas as dependências do Colégio e todos os regulamentos. Hora de deitar, hora de levantar, horas das refeições, horários das aulas, horários dos estudos, horários da ginástica e das atividades esportivas. O expediente era de segunda a sábado e, aos domingos, depois da missa obrigatória, visitas dos pais ou parentes, dia livre.
Não havia homens no Colégio, homem nenhum, de espécie nenhuma, só havia mulheres. Até os guardas diurnos e noturnos eram mulheres. Os únicos homens que podiam entrar ali eram os pais e parentes, somente aos domingos, e tudo sob a vigilância feroz, tenaz, meticulosa e incansável das freiras guardiãs. Mistério, mulheres são mulheres, e nada nem ninguém pode com elas, e namoros surgiam. Como? Ninguém sabia! Uma ou outra gravidez de alunas, tudo abafado, escondido, ocultado.
As luzes se apagavam às dez da noite, todas para as camas, e o despertar era às seis da manhã com estridentes campainhas, todas para o banheiro, banheiro coletivo, e Thaís, pela primeira vez na vida conheceu a promiscuidade. Em casa ela tinha o banheiro só dela, na suíte só dela, ninguém mais usava aquele banheiro a não ser ela mesma. No Colégio ela tinha que dividir o banheiro com duzentas moças.
O banheiro tinha cinqüenta pias, uma pia para cada grupo de 4 moças. Tinha cinqüenta privadas, uma privada para cada 4 moças. Tinha cinqüenta chuveiros, um chuveiro para cada 4 moças. As privadas não tinham portas, propositalmente, para evitar que as moças se masturbassem com as portas fechadas. Assim, elas tinham que cagar e mijar ali umas na frente das outras. No início era um constrangimento, cagar, mijar, limpar o cu e a buceta com papel higiênico, e depois lavar os dois buracos no bidê, ali, na frente de todo mundo, com todo mundo olhando. Um horror, uma desolação. Mas, todos se acostumam com tudo, e elas logo se acostumavam e faziam daquilo uma diversão, uma farra. A primeira dessas farras era o concurso de peidos, que no início horrorizou Thaís, mas que, depois, ela passou a participar. A moça que desse o maior número de peidos seguidos ganhava um prêmio. Houve uma que se tornou campeã invicta, ela chegou a dar vinte e sete peidos seguidos, sem interrupção. Foi um Ahhh! geral e depois vieram as palmas, os aplausos ininterruptos. É claro que o fedor dos peidos era de matar, e algumas se esforçavam tanto que acabavam cagando e era logo desclassificada, mas tudo isso fazendo parte da competição. No começo, Thaís não tinha treino algum e dava dois ou três peidos e cagava, sendo, assim, desclassificada. Depois ela andou tomando umas aulas com as mais experientes, aprendeu a apertar o cu, e acabou conseguindo dar quinze peidos seguidos, uma proeza com a qual ganhou uma medalha de terceira colocada.
Nos chuveiros elas ficavam todas nuas e era um desfile interminável de bucetas, cus, tetas, pentelhos, de todos os formatos e feitios. Tetas enormes, monstruosas, algumas inchadas como vacas leiteiras, outras caídas e esparramadas; tetas achatadas, minúsculas, microscópicas, inexistentes. As bucetas, algumas eram peladas, outras eram peludas como bucetas de macacas. Bundas, bundas arrebitadas, bundas gordas, bundas magras, uma meia dúzia no máximo de bundas bonitas, lindas como a dela. “As mulheres”, pensou Thaís, “não usam roupas por vergonha de ficarem peladas, elas usam roupas para esconderem as feiúras”
Cada aluna do primeiro ano tinha uma monitora que era uma aluna veterana das séries mais avançadas. Essa veterana era obrigada a ensinar tudo, tudo, sobre o Colégio, para a aluna caloura. Tinha que ensinar os regulamentos, as proibições, os castigos, e tinha que fiscalizar a caloura em todas as horas e em todos os lugares, e tinha que denunciar a caloura por quaisquer falhas que a caloura praticasse, caso contrário, ela própria, a monitora, seria punida. Era a alcaguetagem, a delação, o denuncismo, obrigatórios e institucionalizados. Sistema perverso de espionagem e opressão, mas inútil e ineficiente, por ser odiado e combatido com ferocidade pelas próprias alunas, e a monitora que o levasse ao pé da letra caía no ostracismo, ninguém sequer olhava ou conversava com ela, e ela acabava por sucumbir diante de tamanho desprezo e isolamento. Thaís logo fez amizade com a monitora dela e esta nunca a denunciou pelos vários deslizes de Thaís.
O refeitório abria às seis e meia da manhã, as meninas tomavam o café, e entravam para as aulas que começavam à sete e meia e iam até à uma da tarde com apenas trinta minutos para o recreio e lanche. Terminadas as aulas, iam para o refeitório almoçar e, às duas da tarde iam para os laboratórios, segundas, quartas e sextas, até às quatro da tarde. Das quatro até as seis, ginásticas, jogos esportivos e natação em piscina coberta. Nas terças e quintas, estudos, das duas até às sete da noite.
As aulas eram dadas só pelas freiras. Não havia professores homens. Só elas. Havia aulas de latim, grego. inglês, francês e alemão, e cada professora era nativa, isto é, a de alemão tinha nascido e estudado na Alemanha, a de francês, inglês, grego, idem. A de latim era italiana e falava o latim fluentemente. As professoras de biologia eram médicas, as de matemática, física e química eram todas engenheiras e, algumas, matemáticas mesmo. Elas todas ensinavam muito bem, mas eram rigorosíssimas e exigentes e notas acima de sete eram raras. Quase não havia reprovações porque as alunas preguiçosas e relapsas eram logo alvo de duras punições, ficando privadas de visitas familiares e tendo que estudar até às dez da noite para se recuperarem.
A primeira aula da manhã começava com cinco minutos de orações que, assim como nas missas dominicais, eram rezadas só e somente só, em latim:
“pater noster, que es in caelis, santicficétur nomen tuum. Advéniat regnum tuum. Fiat volúntas tua, sicutin caelo et in terra. Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie. Et dimítte nobis debita nostra, sicut et nos demíttimus debitóribus nostris. Et ne nos indúcas in tentatiónem : sed libera nos a malo. Amen.”
“ave, maria, grátia plena; dóminus tecum: benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui jesus. Sancta maria, mater dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.”
Thaís aprendeu, aprendeu muito, quando saiu, falava fluentemente, o grego, o latim o alemão, o inglês e o francês. Também dominava a álgebra, a geometria o cálculo diferencial e integral. Aprendeu topografia de campo, mapeamento. Aprendeu física, química, biologia, teóricas, nas salas de aula e práticas, nos laboratórios. Aprendeu Economia, Psicologia, Sociologia, Contabilidade. Praticou esgrima, natação, basquete, equitação. Aprendeu tudo, e era uma das poucas que tirava nota dez em todas as disciplinas. Aprendeu tudo e conheceu SAFO. Conheceu SAFO desde os primeiros dias e aprendeu a amá-la. E amou SAFO para sempre.
SAFO foi uma das maiores, mais inspiradas, mais consagradas poetisas da história humana. Ela era grega, nasceu na ilha de LESBOS, no ano 630 antes de Cristo. Rica, de família milionária e poderosa, teve uma educação profunda e esmerada. Foi apaixonada e amante do próprio irmão CARAXOS, que acabou por abandoná-la para casar-se com uma princesa egípcia, deixando SAFO, desolada e destruída. SAFO escreveu inúmeros livros de poesia da mais alta grandeza e consagrados pelos maiores filósofos e artistas de todos os tempos. Infelizmente, no ano de 1073 da nossa era, as igrejas cristãs, do ocidente e do oriente, mandaram queimar toda a obra de SAFO por considerá-la obscena, pornográfica, com palavras chulas, de baixo calão, e que não engrandeciam a literatura. A DEMONÍACA CENSURA DOS PURITANOS, HIPÓCRITAS, destruiu essa obra grandiosa, restando poucos poemas, encontrados somente no ano de 1895 desta era.
SAFO montou uma Escola para moças, onde ela mesma ensinava Música, Poesia e Dança. As alunas dessa Escola eram chamadas de HETAIRAS (AMIGAS) e SAFO se tornou amante de todas elas e mantinha relações sexuais com todas elas, sendo que foi daí que surgiu o termo LESBIANISMO, para designar o homossexualismo feminino, pois a Escola de SAFO, ficava na ilha de LESBOS, na Grécia. A hetaira preferida, e paixão de SAFO, chamava-se ATIS e, para ela, SAFO compôs poemas imortais. Thaís leu alguns poemas de SAFO em grego. Como ela conseguiu fazer entrar esses poemas ali, num Colégio de freiras, ninguém sabe, mas o fato é que conseguiu, e leu e decorou esses poemas, e se identificou com SAFO.
Chamava-se Melissa, a primeira amante de Thaís no Colégio. Era alta, magra, escultural, corpo de modelo. Nua, parecia uma escultura grega. Cursava o terceiro colegial. Aproximou-se de Thaís com desenvoltura, sem rodeios, e cercou-a de atenções e carinhos, conquistando-a e seduzindo-a num piscar de olhos- Fazia apenas três semanas que Thaís tinha chegado e aconteceu o primeiro beijo, de boca, de língua, de sexo. Thaís se atordoou, se desintegrou, paralisada, muda, sem ação, nem pensamento, apenas arfando, respirando com dificuldade. Meses antes teria dado uma bofetada na cara de Melissa e teria vomitado de nojo, mas ali, naquele momento, não fez nada, surpresa, estupefata.
Eram onze horas da noite, as luzes do alojamento tinham sido apagadas às dez, e só a luz do luar vindo das vidraças e a luz do fraco abajur aceso a noite inteira é que iluminavam o ambiente.
Melissa, todas as noites, após o jantar, vinha acomodar-se na cama dela onde conversavam por horas seguidas, Houve noites em que Melissa chegou a dormir ali, abraçada com ela, como irmãs.
Já há dias que ela vinha roçando as coxas e os seios de Thaís, mas esta preferiu mentir para si mesma que aquilo não era nada. Mas hoje foi diferente, hoje foi o beijo, beijo pegajoso, ardente. Sensual. Thaís sentiu que a buceta estava piscando e que ela estava toda molhada. Melissa enfiou a mão direita por baixo da camisola dela, introduziu os dedos por dentro da calcinha, procurando com sofreguidão os lábios da buceta que começou a acariciar e, em seguida, enfiou os dedos dentro da buceta de Thaís, e a buceta começou a morder aqueles dedos e Thaís começou a gozar sem parar. Melissa tirou-lhe a camisola e, a calcinha deixando-a nua por inteiro. Ficou nua também e deitou-se em cima dela, enfiando as coxas no meio das coxas dela, e esfregando as coxas na buceta dela, enquanto engolia e chupava os seios dela, numa sofreguidão desesperada. Thaís, a princípio só ficou gozando, mas logo começou a participar e a sugar os seios da outra, a beijar-lhe a boca a rebolar feito uma louca. De repente, Melissa enfiou a cabeça no meio das coxas de Thaís e começou a chupar, a sugar a buceta dela, enfiava a língua lá dentro e Thaís chorava de tanto gozar. Trocaram de posição e Thaís chupou a buceta de Melissa, que estrebuchava, rebolava, gemia, e gozava sem parar. Ficaram assim, até de madrugada quando, tombaram e dormiram um sono profundo e só despertaram com o soar das campainhas estridentes.
Tornaram-se amantes e assim permaneceram até a formatura de Melissa, que foi embora no ano seguinte, e nunca mais se viram.
Até então, Thaís não tinha reparado na vida noturna do alojamento escuro, mas a partir daí, começou a prestar atenção e constatou que todas as meninas tinham amantes e que faziam sexo todas as noites. Mulheres, vivendo e aprendendo. Thaís começou a apreciar mulheres, a avaliá-las, a medi-las com os olhos, a desejá-las, a cobiçá-las, a cortejá-las, a seduzi-las. Dona de uma beleza estonteante, Thaís logo arranjou um harém de amantes, que ela escalava para dormir com ela a cada noite. As moças estavam de tal modo apaixonadas por ela que nem mesmo se importavam quando ela estava menstruada e chupavam a buceta dela mesmo assim. Na primeira vez que isso aconteceu, Thaís chegou a levar um susto. A moça estava chupando, chupando, enfiando a língua na buceta dela, e ela gozando e gemendo sem parar. De repente a moça levantou a cabeça e a cara dela estava inteiramente manchada de sangue como se ela tivesse levado um tiro. Thaís chegou a dar um grito de susto, mas depois, viram que era só o sangue da menstruação de Thaís e caíram na risada. A coisa se espalhou e as demais amantes de Thaís faziam questão de chupar a buceta dela quando ela estava menstruada.
Thaís virou lésbica para sempre e nunca, jamais, deu a buceta para homem nenhum. Ela tinha nojo, repugnância de homens. Não do Marlon, é claro, dele não. Dele ela se recordava com saudades e gozava só de pensar nele. Ele tinha ido para a Europa, mas quando ele vinha e eles se encontravam, eles passavam noites metendo desesperadamente. Metendo e sentindo a dor e a angústia da separação. O único homem para quem Thaís deu a buceta dela, toda vez que o encontrava, foi o Marlon, só o Marlon e mais ninguém. O resto da vida amorosa e sexual dela era só com mulheres.
As cartas recebidas e enviadas eram todas submetidas a censura no Colégio. As moças escreviam as cartas, entregavam-nas abertas para as freiras que as liam, e que as rasgavam sem aviso algum à remetente se desaprovassem o que estava escrito. Com as cartas recebidas era a mesma coisa, se o conteúdo fosse desaprovado elas eram rasgadas e a destinatária nunca ficava sabendo de nada. Thaís escreveu inúmeras cartas ao Marlon, isso no primeiro ano, mas ele não recebeu nenhuma, foram todas censuradas e rasgadas. As cartas eram suaves, discretas, cartas de irmã para irmão, mas as freiras, só pelo fato de serem cartas dirigidas a um homem, eram consideradas impróprias, e rasgavam-nas. A partir do segundo ano, Thaís nunca mais escreveu cartas a ninguém, nem mesmo aos pais dela.
Thaís era excelente aluna, mas nunca aceitou as rígidas e medonhas regras do Colégio e, por isso, era considerada rebelde e esteve prestes a ser expulsa. Foi punida com severos castigos. Apanhou muitas vezes, pois naquela época os castigos corporais eram permitidos nos Colégios Internos. Apanhou com palmatória, com vara, com chicote. Dez, era o número mínimo de chicotadas. Diversas vezes foi para o isolamento, um quarto fechado, escuro, isolado das outras meninas, onde comia e dormia e donde só saia para assistir as aulas da manhã, sem direito de assistir as da tarde. Outro castigo era a privação das visitas de fim de semana. Todos os domingos os pais vinham visitá-la, mas se ela estivesse de castigo essas visitas eram proibidas. O pior de todos os castigos era a proibição das férias. As moças tinham férias duas vezes por ano, a saber, durante todo o mês de julho e de quinze de dezembro até primeiro de março do ano seguinte.Para infrações consideradas gravíssimas, as freiras tiravam as férias do mês de julho e para as ultra gravíssimas elas tiravam as férias do final do ano. Thaís chegou a perder uma vez, as férias de julho e esse castigo a chocou tanto que chegou a cogitar de sair do Colégio, mesmo sem se formar. Mas agüentou. Nunca mais se esqueceu disso, mas suportou dia após dia aquele isolamento terrível.
Formatura. A formatura foi sem festa, para ela, que se recusou a participar da cerimônia de entrega do diploma e do grande baile no salão de festas do Colégio. Os pais insistiram, mas ela firmou o pé, pegou o diploma na secretaria do Colégio e saiu por aqueles portões por onde jamais retornaria.
Foram três anos, três longos e intermináveis anos, três anos de uma prisão equivalente a uma internação prolongada num manicômio ou a uma condenação numa cadeia. Três anos em que ela se isolou do mundo e da própria existência, e tudo para fugir de uma tenebrosa maldição, a maldição do INCESTO COM O PRÓPRIO IRMÃO. Tudo inútil, não conseguiu fugir jamais, e mergulhou para todo o sempre numa segunda e igualmente medonha maldição, pois se encontrou e se apaixonou perdidamente por SAFO, a sacerdotisa do amor proibido de uma mulher por outra mulher.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61760
Ary Bueno [ O Príncipe dos poemas e do amor ]
Um dia...não sei quando será
Acabara no mundo toda dor
Um dia, sofrimento, não terá
Pois haverá somente o amor
Um dia, não sei se eu verei
A inveja, a cobiça acabara
A humanidade se amará
E em paz, até eu viverei
Um dia...não terá pobreza
Nem haverá criança faminta
O mundo será uma beleza
As flores serão mais bonita
Um dia haverá paz na terra
A natureza será respeitada
Não teremos mais guerra
Nem haverá mais queimada
Um dia, dinheiro perde o valor
Um dia, se acabara o marginal
O sol brilhara, com mais calor
Todo dia sera um novo Natal
Um dia...o luar será mais bonito
Um dia não precisaremos hospital
Não teremos tanto coração aflito
Porque no mundo acabara o mal
Um dia este poeta estará cantando
Um dia sei que também irei morrer
Um dia, saberás quanto estou chorando
Por um dia...ter perdido o teu querer.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61759
A maioria ainda não percebeu... mas os tempos são chegados. É verdade. Não se trata de figura de linguagem ou de uma mera invocação do Livro das Revelações. Aliás, não se cuida sequer de um anúncio religioso ou fundado na fé pura e simples dos que vêm no Apocalipse uma autêntica profecia. Os tempos são chegados e isso é óbvio.
Tantos já acreditaram estar diante do julgamento final a cada momento de crise neste planeta... No entanto, ouso asseverar, estamos agora, sim, vivenciando a separação do joio do trigo. Não há uma guerra de homens contra homens, não há exércitos marchando pelas grandes cidades do mundo, não há discursos nacionalistas. Nem mesmo o alarido religioso que segrega irmãos sustenta um conflito universal. Contudo, há um combate constante nos últimos anos, uma batalha cada vez tão mais intensa quanto insidiosa, dissimulada, terrivelmente cruel.
Descerremos os olhos!
Os Quatro Cavaleiros estão sob o comando eficaz da Besta. O Dragão subiu dos Abismos e habita entre nós, soberano enquanto durar sua missão sagrada de vibrar a espada que conduz os réprobos da Lei ao seu legítimo destino nas Trevas, sob seu império, no contexto da Harmonia Universal. Lúcifer é, hoje, mandatário de imenso poder, poder que Deus lhe concede para que a Lei se cumpra.
O mundo é, em todos os seus aspectos, um imenso paradoxo. A Terra hospeda toda sorte de desatinados que comungam da experiência evolutiva ao lado dos que buscam sincera elevação em direção à Luz.
Safras agrícolas são colhidas sob contornos técnicos que vencem pragas e até mesmo os rigores naturais do clima. A fome jamais campeou tanto nos celeiros desse mesmo planeta, ceifando vidas no nascedouro, coroando a inércia de tantos povos que, deixando de promover o socorro misericordioso, tornam-se instrumentos nécios, pífios, ineptos da Luz, ao mesmo tempo em que recebem galardões e medalhas do Demônio. Por outro lado, o Mundo todo se une, se irmana, se aproxima, descendo barreiras e fronteiras, interagindo com extremo dinamismo nos fluxos imensos de recursos e riquezas de lá para cá, daqui para lá, mais ali e acolá. Longe dos navios, dos aviões e da fabulosa rede de comunhão virtual, bilhões de homens prostram-se nos mesmos moldes antepassados de tradições castradoras e impedientes do universalismo que seria o reflexo da união que o próprio Cristo veio ensinar.
Mal superado o susto inicial pela peste que consome desatinados das sensações e das paixões desenfreadas, a cada pequeno e claudicante passo da conscientização inadiável miríades de invigilantes são derrotados pelo descuido criminoso negligenciando deveres mínimos à imprudência com que continuam navegando em seus apelos sensoriais. Pragas mais antigas ganham novo impulso putrefando corpos ainda em vida, sobrecarregando mecanismos de requalificação e refazimento, reproduzindo no microcosmo do veículo de barro a desarmonia em que repastam mentes décadas a fio.
A Luz penetra o fumo denso das preocupações constantes do homem, incapaz de dissipar os tormentos voluntários que a concupiscência gera no exercício do seu livre-arbítrio. Bem e Mal combatem em sangrenta guerra. No dia-a-dia humano, seja nos palácios, seja nos casebres, poucos compreendem a distinção entre o que é e o que não é... A Besta comanda soldados com extrema inteligência. Move silenciosos esquadrões minando as referências que a maioria mal pode divisar. Na alegria aplica a irresponsabilidade; na caridade, estimula a vadiagem; na pregação, traz o personalismo que macula o orador na sedução da vaidade; na prudência, conduz à frieza; na piedade, inocula o desencanto; na coragem, desdenha o dever de auto-preservação.
E assim a Besta traz ao homem o extermínio. Crava na testa de bilhões o signo das trevas. Cumpre a Lei de Deus deixando ilesos apenas e tão-somente os que, não sendo anjos, livram-se do terrível destino com a boa-vontade e o esforço indispensável dos que anseiam a Luz.
Nada mais é pedido ao homem do que ter Boa-Vontade, ser Indulgente e Perdoar. O Ensinamento é o mesmo de milhares de anos, em vários povos e muitos idiomas. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Procurar o que agrada a Deus antes de tudo, com garra e determinação, trabalho e suor, deixando que tudo o mais venha por acréscimo, nas mãos abençoadas da Providência Divina.
Rogo a Deus que o Amor toque a tantos quantos por Ele anseiem.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61758
Tantos já acreditaram estar diante do julgamento final a cada momento de crise neste planeta... No entanto, ouso asseverar, estamos agora, sim, vivenciando a separação do joio do trigo. Não há uma guerra de homens contra homens, não há exércitos marchando pelas grandes cidades do mundo, não há discursos nacionalistas. Nem mesmo o alarido religioso que segrega irmãos sustenta um conflito universal. Contudo, há um combate constante nos últimos anos, uma batalha cada vez tão mais intensa quanto insidiosa, dissimulada, terrivelmente cruel.
Descerremos os olhos!
Os Quatro Cavaleiros estão sob o comando eficaz da Besta. O Dragão subiu dos Abismos e habita entre nós, soberano enquanto durar sua missão sagrada de vibrar a espada que conduz os réprobos da Lei ao seu legítimo destino nas Trevas, sob seu império, no contexto da Harmonia Universal. Lúcifer é, hoje, mandatário de imenso poder, poder que Deus lhe concede para que a Lei se cumpra.
O mundo é, em todos os seus aspectos, um imenso paradoxo. A Terra hospeda toda sorte de desatinados que comungam da experiência evolutiva ao lado dos que buscam sincera elevação em direção à Luz.
Safras agrícolas são colhidas sob contornos técnicos que vencem pragas e até mesmo os rigores naturais do clima. A fome jamais campeou tanto nos celeiros desse mesmo planeta, ceifando vidas no nascedouro, coroando a inércia de tantos povos que, deixando de promover o socorro misericordioso, tornam-se instrumentos nécios, pífios, ineptos da Luz, ao mesmo tempo em que recebem galardões e medalhas do Demônio. Por outro lado, o Mundo todo se une, se irmana, se aproxima, descendo barreiras e fronteiras, interagindo com extremo dinamismo nos fluxos imensos de recursos e riquezas de lá para cá, daqui para lá, mais ali e acolá. Longe dos navios, dos aviões e da fabulosa rede de comunhão virtual, bilhões de homens prostram-se nos mesmos moldes antepassados de tradições castradoras e impedientes do universalismo que seria o reflexo da união que o próprio Cristo veio ensinar.
Mal superado o susto inicial pela peste que consome desatinados das sensações e das paixões desenfreadas, a cada pequeno e claudicante passo da conscientização inadiável miríades de invigilantes são derrotados pelo descuido criminoso negligenciando deveres mínimos à imprudência com que continuam navegando em seus apelos sensoriais. Pragas mais antigas ganham novo impulso putrefando corpos ainda em vida, sobrecarregando mecanismos de requalificação e refazimento, reproduzindo no microcosmo do veículo de barro a desarmonia em que repastam mentes décadas a fio.
A Luz penetra o fumo denso das preocupações constantes do homem, incapaz de dissipar os tormentos voluntários que a concupiscência gera no exercício do seu livre-arbítrio. Bem e Mal combatem em sangrenta guerra. No dia-a-dia humano, seja nos palácios, seja nos casebres, poucos compreendem a distinção entre o que é e o que não é... A Besta comanda soldados com extrema inteligência. Move silenciosos esquadrões minando as referências que a maioria mal pode divisar. Na alegria aplica a irresponsabilidade; na caridade, estimula a vadiagem; na pregação, traz o personalismo que macula o orador na sedução da vaidade; na prudência, conduz à frieza; na piedade, inocula o desencanto; na coragem, desdenha o dever de auto-preservação.
E assim a Besta traz ao homem o extermínio. Crava na testa de bilhões o signo das trevas. Cumpre a Lei de Deus deixando ilesos apenas e tão-somente os que, não sendo anjos, livram-se do terrível destino com a boa-vontade e o esforço indispensável dos que anseiam a Luz.
Nada mais é pedido ao homem do que ter Boa-Vontade, ser Indulgente e Perdoar. O Ensinamento é o mesmo de milhares de anos, em vários povos e muitos idiomas. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Procurar o que agrada a Deus antes de tudo, com garra e determinação, trabalho e suor, deixando que tudo o mais venha por acréscimo, nas mãos abençoadas da Providência Divina.
Rogo a Deus que o Amor toque a tantos quantos por Ele anseiem.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61758
Vizinha gostosa
Vi ela de novo trocando com a janela aberta.
Ela sabe que eu estou olhando a safadinha
esta mesmo me provocando.
Seu marido é vendedor o meu amigo manso
está viajando.
Está mesmo sozinha, a danada aperta o bico
duro dos seus lindos e gostosos peitos.
Agacha meio de quatro pra pegar a calcinha
toda rendada ela coloca devagarzinho.
Retira do meio da bunda porque encostou
bem no cuzinho.
Coloca sua camisola transparente e disfarça
e fecha a janela.
E eu muito excitado com a pica dura e pulsando
ligo pra ela e pergunto se ela tem remédio pra
dor de cabeça.
E que cabeça, ela com fala leve e sensual disse:
acho que tenho depende do tamanho da cabeça.
E me diz vem aqui buscar que curo rapidinho sua
doença.
Desço rapidinho do meu apartamento e entro no
quarto ela pega o remédio e deixa cair no chão
e de quatro vai pegar.
Pura provocação, eu não agüento viril e sedento
de tesão.
Pego ela de jeito levanto a camisola e arredo a
calcinha e segurando seus gostosos peitos.
Enterro meu cacete inteirinho no seu rabinho
fogoso.
Que ela arrebitava loucamente engolindo todinho
meu mastro e gozamos feitos bichos insaciáveis.
Que delicia é minha vizinha.
Outro dia eu volto.
O NOVO POETA. (W.Marques).
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61757
Vi ela de novo trocando com a janela aberta.
Ela sabe que eu estou olhando a safadinha
esta mesmo me provocando.
Seu marido é vendedor o meu amigo manso
está viajando.
Está mesmo sozinha, a danada aperta o bico
duro dos seus lindos e gostosos peitos.
Agacha meio de quatro pra pegar a calcinha
toda rendada ela coloca devagarzinho.
Retira do meio da bunda porque encostou
bem no cuzinho.
Coloca sua camisola transparente e disfarça
e fecha a janela.
E eu muito excitado com a pica dura e pulsando
ligo pra ela e pergunto se ela tem remédio pra
dor de cabeça.
E que cabeça, ela com fala leve e sensual disse:
acho que tenho depende do tamanho da cabeça.
E me diz vem aqui buscar que curo rapidinho sua
doença.
Desço rapidinho do meu apartamento e entro no
quarto ela pega o remédio e deixa cair no chão
e de quatro vai pegar.
Pura provocação, eu não agüento viril e sedento
de tesão.
Pego ela de jeito levanto a camisola e arredo a
calcinha e segurando seus gostosos peitos.
Enterro meu cacete inteirinho no seu rabinho
fogoso.
Que ela arrebitava loucamente engolindo todinho
meu mastro e gozamos feitos bichos insaciáveis.
Que delicia é minha vizinha.
Outro dia eu volto.
O NOVO POETA. (W.Marques).
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61757
Leio nesses olhos
As palavras que não digo,
Tristeza que ateia o brilho
Dessas pérolas escuras,
Que quase as torna húmidas
Nessa dureza das gotas
Que não tombam.
Encontro-lhes beleza,
Nessa dor enraizada,
Que a vida semeou
Em terra maltratada,
Amargura que cresceu
E foi bem adubada.
Porquê tanta mágoa,
Nesses olhos tão vivos
De onde já não corre água?
Se são esses os meus olhos,
Que destinos, que motivos
Andam neles cativos?
Saberás tu, meu amor,
Que tanto me adoras,
De onde vem esta dor?
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61756
As palavras que não digo,
Tristeza que ateia o brilho
Dessas pérolas escuras,
Que quase as torna húmidas
Nessa dureza das gotas
Que não tombam.
Encontro-lhes beleza,
Nessa dor enraizada,
Que a vida semeou
Em terra maltratada,
Amargura que cresceu
E foi bem adubada.
Porquê tanta mágoa,
Nesses olhos tão vivos
De onde já não corre água?
Se são esses os meus olhos,
Que destinos, que motivos
Andam neles cativos?
Saberás tu, meu amor,
Que tanto me adoras,
De onde vem esta dor?
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61756
arde na presença do ar
sem pensar na combustão,
condução,
combustivel...
Emissor,
canal,
receptor...
adeus oxigénio.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61755
sem pensar na combustão,
condução,
combustivel...
Emissor,
canal,
receptor...
adeus oxigénio.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61755
Ao fundo, o sol brilha em grande esplendor.
Traçando perfis em suaves esferas.
Ah!... Recordações de mim, em outras eras.
No tempo em que de mim chovia Amor...
Fico inerte, olhando para o espaço...
Pensamento suspenso naquele teu abraço...
Lágrimas esfíngicas gritam dentro, em mim,
Coração triste, frágil em cetim...
Que num grito agonizante ,
Em voz suave e palpitante,
Que confia e também acredita,
Que um dia a dor vai embora ,
Não regressará !
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61754
Traçando perfis em suaves esferas.
Ah!... Recordações de mim, em outras eras.
No tempo em que de mim chovia Amor...
Fico inerte, olhando para o espaço...
Pensamento suspenso naquele teu abraço...
Lágrimas esfíngicas gritam dentro, em mim,
Coração triste, frágil em cetim...
Que num grito agonizante ,
Em voz suave e palpitante,
Que confia e também acredita,
Que um dia a dor vai embora ,
Não regressará !
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61754
SENTIDO(S) DA VIDA
NASÇO:
o limite humano minha visão
supera a gana da fera carniceira
e o abutreiro na floresta
onde sou o supremo
e o desenrolar pacífico espero.
MORRO:
noutro lado
tantas plumas assoviando
dando-me a inexpressão inteligente
- paradoxos presentes -
com as que caem abatidas
diferente das sementes
que morrem para a vida
morrem pra ser a comida
da instintuosa que predando
pelo nada fez-se ausente.
Então:
perco o sentido da vida
à margem de um rio
que muda seu trajeto
fazendo com que meu pensar
e as plumas o siga.
(1990)
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61753
NASÇO:
o limite humano minha visão
supera a gana da fera carniceira
e o abutreiro na floresta
onde sou o supremo
e o desenrolar pacífico espero.
MORRO:
noutro lado
tantas plumas assoviando
dando-me a inexpressão inteligente
- paradoxos presentes -
com as que caem abatidas
diferente das sementes
que morrem para a vida
morrem pra ser a comida
da instintuosa que predando
pelo nada fez-se ausente.
Então:
perco o sentido da vida
à margem de um rio
que muda seu trajeto
fazendo com que meu pensar
e as plumas o siga.
(1990)
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61753
BOLERO (soneto musical)
Sei que me desprezas nestas notas ao ar perdidas
E que nosso recomeço não mais lhe faz sentido,
Saibas porém que silencioso choro e danço contigo
Nos bailes da vida em noites e noites doídas.
O que me dói já não são os nuances deste dia
Mas os que terei amanhã vago me perguntando
Se o passado do nada me vem nesta melodia
Se por nada meu tudo é ainda estar te amando.
Mas será que estas lágrimas tu mereces
Se ris por aí em rodopios e passos de dança
Sem que me tenhas um só momento na lembrança?
Ó minha alma, mais em pranto não te quero
O amor que hoje não tenho aos poucos me mata
Mas revive, se desata, ao som dum bolero.
REGE - 11/08
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61752
Sei que me desprezas nestas notas ao ar perdidas
E que nosso recomeço não mais lhe faz sentido,
Saibas porém que silencioso choro e danço contigo
Nos bailes da vida em noites e noites doídas.
O que me dói já não são os nuances deste dia
Mas os que terei amanhã vago me perguntando
Se o passado do nada me vem nesta melodia
Se por nada meu tudo é ainda estar te amando.
Mas será que estas lágrimas tu mereces
Se ris por aí em rodopios e passos de dança
Sem que me tenhas um só momento na lembrança?
Ó minha alma, mais em pranto não te quero
O amor que hoje não tenho aos poucos me mata
Mas revive, se desata, ao som dum bolero.
REGE - 11/08
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61752
EU VI
Hoje de manhã eu vi uma árvore verde.
Que tipo de árvore era?!
Eu sei lá,
Para mim tudo é árvore.
Eu nunca aprendi os nomes das árvores
E para mim toda árvore é verde.
Ontem à noite, muito noite, num baile,
Eu encontrei uma mulher, muito mulher,
Com um vestido de cetim azul
Vestido apertado, marcando as formas.
Mulher!
Eu não conversei com ela, com essa mulher
Do baile muito noturno
Essa mulher com o vestido azul.
Mas eu precisava de uma história
De amor
De amor com sexo
Na cama
Com essa mulher
E eu.
E fiz uma história de amor ardente
Com essa mulher
Do baile noturno.
Saímos dali
E fomos para um hotel de luxo
Em algum lugar da Europa.
Ela estava alucinada de amor e de desejo
Por mim.
E fizemos sexo por dias e noites intermináveis
Até que veio a hora
Da nossa despedida.
Eu vi essa mulher,
Não sei o nome dela,
Apaixonei-me por ela, e tive com ela
Uma história de amor e de sexo infinitos.
A minha história.
Ela não leu jamais essa história
Nem foi protagonista dela.
Eu a despi e ela ficou nua,
Nua, inteiramente nua
Com o vestido azul caído no chão
Aos pés daquela cama.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61751
Hoje de manhã eu vi uma árvore verde.
Que tipo de árvore era?!
Eu sei lá,
Para mim tudo é árvore.
Eu nunca aprendi os nomes das árvores
E para mim toda árvore é verde.
Ontem à noite, muito noite, num baile,
Eu encontrei uma mulher, muito mulher,
Com um vestido de cetim azul
Vestido apertado, marcando as formas.
Mulher!
Eu não conversei com ela, com essa mulher
Do baile muito noturno
Essa mulher com o vestido azul.
Mas eu precisava de uma história
De amor
De amor com sexo
Na cama
Com essa mulher
E eu.
E fiz uma história de amor ardente
Com essa mulher
Do baile noturno.
Saímos dali
E fomos para um hotel de luxo
Em algum lugar da Europa.
Ela estava alucinada de amor e de desejo
Por mim.
E fizemos sexo por dias e noites intermináveis
Até que veio a hora
Da nossa despedida.
Eu vi essa mulher,
Não sei o nome dela,
Apaixonei-me por ela, e tive com ela
Uma história de amor e de sexo infinitos.
A minha história.
Ela não leu jamais essa história
Nem foi protagonista dela.
Eu a despi e ela ficou nua,
Nua, inteiramente nua
Com o vestido azul caído no chão
Aos pés daquela cama.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61751

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