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"A vontade, se não quer, não cede,
é como a chama ardente,
que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la."


(Paraíso)
Dante Alighieri
















o tempo é anexo.
a curva, é por um ângulo, e-a mais..
a previsão é nula.
o exercício, é tentativa fútil, e


vã.




posto, que.
retiro.



prelúdio ao costume ilícito de conter(me).
ora, ou outra: a declinar
(então..)
esta espécie.
isótopo de soltos-apêlos
em letreiros. instantes
à.
contaminação do sangue(que ferve)
do corpo(qual louco..)
e de tudo(o que há.)





ah,
brevidade..


caminhos curtos em laços recíprocos, e.
(apenas-minha: a)ausência..

equilíbrio sobre contas
linhas-memórias e redomas figurativas
decorando-se.em..






tempo(que acaba).

















..











posto, que.
o meu turno.em:
tela de fim-enredo.
ao desapego. de um olho(cru e mentiroso)
em contas de cartas desprezadas
ao.







exílio da letra que cai.
(aqui.)
"fictício-ser"
















..












ei, fogo..
se te queimam, é porque o erro ainda não te "é"





"Far Away,"








detalhe tão formal
(obstante..)
alento-repleto de desilusão absolta
livre-lenda por assepsia de lugar-algum
ao vento que te leva à metade
chuvas e desenhos sem fim..

não.
ou em forma quase de repente, não.

breve lua em círculo constante
a guiar.. os teus olhos de cárcere
pois, estão estes, à negligência exacta de si.
e as peças, que te escutam
e o restante do mundo que te sempre(quer) ver
ah, mar..

empáfia pela minha ordenação e sacrifício
à chama ondulada em vénias de anis
quais. ao profundo e imenso sonho (ir)relevante
ao mesmo tempo, de todos os que você se foi..

ah, mar..

a tua calmaria é passageira
a tua forma é a linha que te traz
seja,

ao norte da minha insensata criação
seja-sul.. e ao outro preço que comungo
outro valor insano que deitei à mão

ah, mar..

a tua forma muda
a tua cura não me é

ah, mar..

o que peço dos meus passos, senão fogo..?
o que peco dos meus pactos, senão, dor..?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339388

INEBRIADO NA ESCURIDÃO
(Jairo Nunes Bezerra)

Despertei ainda sobre efeito de vinho seco,
Luzes cintilantes recebiam raios solares...
Abri os meus olhos aos poucos contrafeito,
Com lábios sorridentes apesar dos pesares!

Dela apenas figurava tenuidade lembrança,
Garrafas vazias sobre mesa e pelo chão...
De retornar a vê-la não alimentava esperança,
Foi-se o meu sensual momento de plena ilusão!

Queria insanamente tê-la de volta,
A impossibilidade alimenta a minha atual revolta,
Regressar a dormitar apresenta uma solução!

Infrutífera se tornou tal conquista,
A claridade se apossou do espaço de meu quarto,
E limito-me às estrelas que vagueiam na amplidão!




Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339387

Viagem frustrada - WesSouza - 25Set2018 09:53:13





Sketch VI



Viagem frustrada




A cena se passa em abril de abril de 1912. Inglaterra.




Cena Única



Um belíssimo quarto de casal. Uma janela aberta. É um belo dia e tudo parece ser perfeito. Em uma cama vemos um homem chamado Charles deitado confortavelmente, e no centro do palco vemos sua mulher, Daisy, se olhando no espelho.


Charles- Você não para de se olhar no espelho desde que acordou. Não sei como consegue ficar tanto tempo diante do espelho.


Daisy (olhando-se no espelho) - Tenho estado muito mal arrumada, meu vestido está amarrotado, minha face pálida, meus lábios descorados, meu colo pouco chamativo, e todo o resto horrível.


Charles- Que exagero! Você tem estado um pouco mal arrumada mesmo, mas nada demais. São os dias de correria por causa da viagem que faremos.


Daisy(radiante)- E que viagem! Uma viagem ao navio que venceu o Mauritânia (De boca cheia) - O Titanic!


Charles- Alguns amigos meus o admiram, outros acham que é apenas uma estratégia de marketing e que logo ele será esquecido. Mas não há como duvidar que ele realmente tem o melhor estilo.


Daisy- Mamãe tem falado dela há semanas, e disse que somos muito sortudos por ter comprado bilhetes para lá. Claro, nós iríamos mesmo em um navio desse, mas para acabar os bilhetes para um navio desse é muito rápido.


Charles- Mandaram-me fotos de nosso camarote. Eu ia te mostrar agora, mas você não para de se olhar no espelho.


Daisy- Oh, eu quero conhecê-lo pessoalmente. Não quero que a surpresa seja estragada por meras fotos (Ajeita os cabelos, morde os lábios de leve).

Charles- O único problema na viagem será o nosso filho Justin. Ele tem me dito para não irmos. Que não gosta do nome do navio, mas sabe como ele é... Ele é muito impressionável.


Daisy- Ele virá conosco. Ele não viaja sem mim.


Charles- Meu irmão estará nos esperando no porto. Como é daqui a quinze minutos, e moramos perto, ainda posso te contemplar por mais alguns minutos.


Daisy- Contemplar essa mulher horrorosa. Viu que ganhei peso?

Charles- Não, e você está exagerando novamente. Você está com o mesmo peso de sempre. Só que anda muito agitada no sono.


Daisy- Toda primavera fico assim. Já fui ao médico e ele não sabe explicar o porquê dessa agitação. Mas prometo, Darling, que vou ser mais cuidadosa.


Charles- Oh, não se cobre tanto. Eu mesmo também tenho estado muito agitado. São os negócios.

Daisy- Sim, e seu fumo excessivo de charutos. Eu gostaria que parasse de fumar.


Charles- Oh, eu não posso prometer me livrar de um gosto, principalmente quando ele me alivia e me faz refletir melhor.



Daisy- Você sabe que tem saúde fraca nos pulmões. Deveria parar. ( Ajeita a parte de trás do vestido).


Charles- Bom, eu já parei com o jogo. É uma grande vitória, não acha?


Daisy- Sim, mas ainda bebe e ainda tem o vício de ficar toda hora mexendo nas coisas que compramos. Ah, Charles, são tantos os teus vicios!( Ri)

Charles- Nasci com muitos, e como todos herdei de família soltá-lo me é muito penoso, inclusive que desistir do que se é prazeroso é outro vício em minha família( Ênfase na palavra família).


Daisy- Pois na minha família somos mais moderados. Mais equilibrados no que fazemos, e....


A porta é aberta. Entra um motorista com o chapéu na mão. Ele tem a expressão de que vai dar notícias ruins.


Marcelo- Senhor, eu não vou poder levá-los ao porto.

Daisy e Charles- Por que não?!


Marcelo- Ambos os carros não funcionam. Eu tentei de tudo, mas eles simplesmente pararam de funcionar.


Charles- E quanto ao carro de minha tia?


Daisy- Ela viajou com ele, senhor. Há quase três horas. Saiu sem dar nenhum aviso de onde ia.


Charles- Que maçada! Os bilhetes já estão comprados! E só tem... Não, claro que não vou de bonde. Ainda tem o carro de meu primo.


Marcelo- Ele também o levou senhor. E parece que ele me disse que não iria ao porto hoje.


Charles- Maldito!


Daisy sai de frente do espelho, senta-se na cama decepcionada, fica em silêncio.


Marcelo- O que devo fazer? pegar o carro emprestado de algum amigo seu, senhor Charles?


Charles- Não. Eu desisti da viagem, e creio que minha mulher também.


Ela assente decepcionada.


Marcelo- Sinto muito, senhor. Sei o quanto significava para você. Vou me retirar.


Charles- Pode ir, Marcelo. Obrigado por tudo.


Marcelo sai.


Charles- Que lástima! A maior viagem que faríamos em toda a nossa vida, e não vamos fazê-la.


Daisy- É terrível a sorte... Ah, que maldição! Ah, falarei mais com minha mãe, agora vou ver como nosso filho está.


Charles- Eu a acompanho. Ele me disse que tinha um sonho para me contar.


Os dois saem tristes. O pano desce.



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339386

O crescendo do nada, consigo ouvi-lo, o silêncio de ruas vazias e candeeiros por ligar, acordo dum sono antigo sem vontade de chegar. A pequena contradição de sentimentos e uma voz que reconheço, deixo-me sozinho a pensar nas sandálias que me recuso a tocar, o sonho continua seco, ferve-me os olhos, tenho medo que sejam terra. Terra que nunca foi minha, sono que nunca foi meu nada é meu, nem os teus dedos nem os teus pés, nem a tua alma, alma essa que canta a pátria dum país que nunca foi meu. Afogo-me numa felicidade fácil de cantos e ruelas das minhas fracas ramelas e do cheiro a árvores cortadas. Sinto o fundo dessa cidade preso na minha garganta, esforço-me para não chorar, porque sou fraco e tenho medo de chegar e tenho razão.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339383

O silêncio - MatodoBicho - 25Set2018 09:53:13
O silêncio das aves nos teus olhos e os pensamentos que refletes no fundo do lago, taciturno, o dia permanece e os teus braços procuram conforto, na tua ingenuidade encontro o belo e a desilusão. Os meus braços não são longos, mas reconheço a tua pele e a textura dos teus suspiros, sei que estás e não te procuro, prefiro ver-te a viver a vida do campo e a efemeridade do teu desconforto quando molhas os pés na água, a tua juventude é a minha verdade, azul, continuas até a água te cobrir o pescoço e eu observo, descomprometido e rendido ao silêncio.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339382

Uma sala escura e um homem que a complementa, quadros vazios de intenção refletem as janelas que trazem luz aos sofás cobertos de lençóis e panos brancos, o chão poeirento brilha o resto de vida que tem, malas descansam à saída da sala esperando uma hora de saída que não aparenta chegar.
O homem, imóvel, de camisa azul clara simples, calças e sapatos igualmente desinteressantes de postura desgastada e uma cara cansada que a gravidade claramente tomou posse observa a chuva que acelera a cada momento que passa, apático, sozinho. Com um subtil movimento reconhece a entrada de uma mulher na sala, mas não se dirige a ela, continua a olhar a chuva com uma conversa baseada em silencio. A mulher com as suas mãos suaves relembra sala a cada toque, cada pedaço de mobília tem o seu peso e ela reconhece-o com devido respeito. A mesa de jantar outrora cheia de pratos e vida, as cadeiras que tanto riscaram o chão de uso e felicidade. Os candeeiros, as mesas de cabeceira as janelas, o chão, a chuva e um homem. Ela senta-se no sofá de costas para a janela, com um sorriso fraco, forçado e frágil.
- É dezembro outra vez? ? a mulher relembra com uma voz quase inaudível.
O homem sem reação responde completando a frase.
- Quem me dera que fosse o primeiro.
A chuva intensifica-se, cada um fica claramente mais pensativo e melancólico, a mulher junta os joelhos e abraça-se protegendo-se do frio, à sua direta o homem. Reparando nisto vira costas à janela e começa a mover-se, indiferentes os seus olhos procuram um cobertor que rapidamente encontra, as suas mãos até então presas aos bolsos das calças libertam-se para pegar e entregar o cobertor à mulher. Voltando à sua posição inicial junto à janela começa a falar num tom desprovido de propósito ou emoção, falar por falar, respirar por respirar.
- Nunca desgostei de chuva, nunca a vi como negativa, forte sim, bela, algo catártico, mas nada melodramática, talvez porque sempre me identifiquei com ela?
- Mm.
- Mentira, talvez não seja identificar, talvez a compreenda. Sozinha, presa a uma nuvem é libertada e não tem outra escolha senão cair com um destino que não escolhe, juntando-se a outras gotas e a um lugar que não escolhe. A chuva só cai nunca foi ensinada a mais nada senão cair, a evaporar por uma luz que não escolhe. Extremamente impotente, não é?
- A chuva não tem agencia, mas limpa, repara e tem uma função, quando chove eu escolho molhar-me porque a chuva me limpa e me faz chorar, que mais pode ela fazer? Não lhe peças mais do que isso. ? Retorque a mulher com compaixão, numa voz pequena continua ? É por pedires muito à chuva que ela não te satisfaz, aceita que cai, aceita não te deve nada e aceita a força que tem, não a que lhe falta.
- Ela satisfaz-me, o meu prazer de a ouvir é saber que ela sendo natureza falha, como qualquer um de nós.
- A chuva não falha, não sejas tolo.
- Serei tolo talvez, mas tolo com razão? Porque é que me estás a olhar assim?
Entre as suas palavras a mulher dirigiu o seu olhar ao homem que não acabou o seu argumento, agora os dois olham-se em silencio uma tensão e uma dor forte entranham-se na pele de ambos.
- Queres mesmo continuar a falar da chuva? ? a mulher poe em palavras o que os seus olhos já disseram.
O seu olhar quebra o dela, dá três passos até ao outro sofá perpendicular ao dela e igualmente coberto, olhando o chão repara.
- Que mais há para falar, não nos resta nada a não ser a chuva.
- Não te resta nada a não ser a chuva. - Ela corrige-o ? Sabes bem que não gosto quando aplicas a tua lógica ao que eu sinto. Resta-nos muito, estás rodeado do que nos resta.
A mulher com o cobertor pelos ombros levanta-se e olha a mesma janela que o homem olhava, e continua com um desgaste claro na voz.
- Tenho medo de me esquecer do nome que escolhemos, tenho medo que a chuva o afogue, eu quero que a chuva pare.
A chuva ignorante às palavras continua constante talvez mais forte, mais pesada, a mulher suspira com um sorriso derrotado na cara, encostando-se à parede onde começa a janela aproxima-se do vidro, tao perto que os olhos sentem o frio do outro lado, talvez por gosto mantem-se nesta posição durante um bocado.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339381

Behind the wall - Leugimiur - 25Set2018 09:53:13
I know the truth!
I finally know it all!
It took almost my whole youth
But I destroyed the wall.

I was big when I thought I was small!
Start up short, ending up tall!
The difference, is abysmal.
All they have left is to crawl.

But there's no paradise behind the wall,
Just step up and see!
Clairvoyance over all!

A long road it might be,
Specially for one so small.
But who, if not me?!?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339379

A paixão desperta fantasmas
escondidos no silêncio do amanhecer!
Ó, haverá sempre um motivo
para cativar-te,

oh, onde estás?
será que o tempo apaga tudo?
oh, colocamos uma máscara,
para que tudo seja mais fácil!

queres sempre respostas,
queremos sempre esperança,
queremos sempre que os outros
sejam felizes,

mas verdade é que somos incompletos
até mesmo nos sonhos perfeitos,
tu és mais forte a amar,
eu sou mais forte a sonhar!



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339370

Outros Ombros - Gyl - 25Set2018 09:53:13
Chegada a aurora e ela se desperta.
Se despede da última estrela.
Se despe do manto da madrugada
Recebendo os beijos do astro-rei.

Pássaros abençoam o seu dia.
Ela aguarda a chegada de seu bem.
Ouve-se passos surdos lá de fora.
Vem o carcereiro do coração.

Ele tem a chave e o cobertor,
A manta que a acalanta em noites frias.
Mas é muito pouco o calor, a chama
Na cama além do Equador se limita.

Envolta em pele amorosa ela grita.
Gemido em sons de nomes parecidos.
Quem a envolve não percebe o grito
Que busca outro corpo de sol queimado.

Ela ri de uma forma conhecida.
Vê no outro lapsos de felicidade.
Cai a tarde como a tarde anterior.
Beija um alguém que muito bem lhe faz.

Assim chega de noite embebida.
Aguarda ansiosa a hora marcada:
"Fique tarde!" Tique-taque! "Fique..."
Repousa tranquila nos outros ombros!




Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339369

As lágrimas também têm asas,
quando deslizam intensamente
na nossa pele,
quando somos simplesmente um único
ser!

As lágrimas também têm asas
quando os nosso lábios se vinculam
com a chuva de outono,
quando as nossas palavras não são
o suficiente para explicar a paixão,

As lágrimas também têm asas,
mesmo quando a estrada não está
completamente clara,
mesmo assim voamos juntos!

As lágrimas também têm asas
quando à noite precisamos de uma melodia
para adormecer,


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339368
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