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Título: Ó mar... devolve-me o filho!- 0

Saiu-lhe uma súplica doída
Da garganta gasta e anosa,
Saiu-lhe uma réplica moída...
A suplica já vinha roída,
Sem esperança, chorosa.
Ajoelhada no altar de uma capela,
De fachada trabalhada e frondosa,
Orava por vida que não há nela,
Vida de roseira sem rosa
A que havia faltado a cautela.
Chorava ela:
- Ó mar... devolve-me o menino,
O filho de todos os meus dias
Que me roubaste tão pequenino
Com ondas revoltas e frias! -
Pedia, rogava, implorava
Em promessa de morte
Por um momento mais sem dor,
Sem o ferro que entra, que se crava
Em corpo arredio da sorte
E já engelhado... sem cor.
MJMS
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