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Escrito por: Manuel Saiote

Que lhe enchia o âmago
E lhe açoitava o estômago
Com as farpas que comia
À sucapa dos olhos gerais.
Envinagrado, o cheiro,
Crescia sempre mais
E envolvia-o por inteiro
Bordando-o em ferida.
Não se sentia sozinho,
Era dos que vivia a vida
Comendo-a bocadinho a bocadinho
Sem olhar a avisos,
Sem se deter em cuidados
Que lhe pudessem apertar a liberdade.
Era alegre a tristeza
Que o acompanhava todos os dias
E que ao livrá-lo de mais companhias
Lhe ia cozendo a crueza,
Natural à sua raça de rua.
Desmedida, era a imprecisão
Dos passos da alma nua
Que se lhe colava pela mão
Amparando-lhe a queda desamparada
No alcatrão negro e molhado.
Nunca ninguém o tinha ensinado
Sobre a necessidade de se merecer,
De querer mais do que o que se quer,
De ser mais livre do que se é.
MJMS

















