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Título: A vida num teatro de sombras- 0

A silhueta vê-se em contra-luz
Numa sequência de ditos e não ditos
De contornos muito vagos...
Facilmente se vai com o tempo que se reduz
Em gastos inconsequentes e fintos
Que se têm num contorno sem rasgos.
Neste teatro de sombras e dizeres
Rezam-se orações sem resposta
Contra paredes feitas de tijolo vermelho,
No intuito de redimir falhas e prazeres
Entregues em casta aposta
Na santidade de um pecador velho.
Desliga-se a luz e a silhueta mistura-se,
Dilui-se no quadrado de tela opaca
E o tempo que corria, fica quieto...
O texto das orações desfaz-se
Como se tivesse sido estripado à faca
E a aposta perde-se em bolso incerto.
MJMS
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