Publicado por: Manuel Saiote

viu-se acontecer coisa de desmando:
andou por aí o mar lazeiro dizendo
que o azul do céu, dele, se foi fazendo!
de maldizente sem vergonha!
ao que o mar esbracejou no momento...
não era a cor cujo reflexo queria.
O céu todo cinzento, continuou a arrelia
e o mar retorquiu com ira selvagem
que lhe fez preta e dura a sua imagem.
Do céu caíram rugidos e relampejos,
do mar saíram montanhas e motejos,
do céu responderam ruins saraivadas
e o mar comia gentes embarcadas.
Por fim, no céu da teimosia fez-se canseira
e no mar a estafa deu em verdadeira...
a acalmia encostou-se, amiga, à costa
num ténue acordo de amizade reposta
que, se de duradoura fosse alcunhada
seria por invenção sonhada ou descuidada.
MJMS







