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Título: A origem das tempestades- 3

Num dia servido de sol brando
viu-se acontecer coisa de desmando:


andou por aí o mar lazeiro dizendo
que o azul do céu, dele, se foi fazendo!


Oh! Mentira sem respeito e medonha
de maldizente sem vergonha!


O céu azul tornou-se cinzento
ao que o mar esbracejou no momento...
não era a cor cujo reflexo queria.


O céu todo cinzento, continuou a arrelia
e o mar retorquiu com ira selvagem
que lhe fez preta e dura a sua imagem.


Do céu caíram rugidos e relampejos,
do mar saíram montanhas e motejos,
do céu responderam ruins saraivadas
e o mar comia gentes embarcadas.


Do céu a tormenta copiosa!


Do mar a tormenta macerosa!


Por fim, no céu da teimosia fez-se canseira
e no mar a estafa deu em verdadeira...
a acalmia encostou-se, amiga, à costa
num ténue acordo de amizade reposta
que, se de duradoura fosse alcunhada
seria por invenção sonhada ou descuidada.

MJMS


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