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não tem heróis nem bandidos,
não é daquelas de embalar
nem tem personagens fingidos.
Há já muito, muito tempo,
em tempos de outras gentes,
um fulano teve afinidades
com o senhor dos contentes...
Um proeminente fulano, por sinal,
com banda de inteligentes
a anunciar a sua chegada.
O burgesso (via-se pelos dentes)
mostrava-se num jeito arreganhado
aos transeuntes indolentes,
letárgicos, pesados, plácidos,
pendões, flácidos e ainda... pacientes.
O peralta sem maneiras
acompanhado de um sério,
que o corrigia até aos confins
em responsos sem mistério
por ?dá cá aquela palha?,
abeirou-se num lento golpe de rins,
assim ?como quem não quer a coisa?
da moçoila da banca das flores.
A arisca plebeia com cheiro de rosa e meia
e a esperteza da vida,
catrapiscou-lhe o fito de malandro...
estendeu-lhe uma margarida
que lhe saltara para os dedos finos,
recortados, longos... e floridos...
?Uma moeda, senhor!?
O trambolho ridente
estalou a mão no joelho,
num inclinar abrupto do corpanzil,
gargalhando com o descaramento
daquele jeito fácil e juvenil.
Recomposto do topete,
refeito de falhada alarvice
olhou a garota e disse:
?Se uma moeda custa, duas te dou!
Se flores vendes, jardins receberás!?
Rindo, arrecadou uma repreensão,
voltou as costas penduradas até ao chão
e abalou entoando uma canção.
(o tempo não parou)
A menina, senhora das flores,
plebeia de coração,
recordou, entre a vida e os amores,
a profecia dita em oração
e olhou para a prole de todas as cores
que balançava em pegada diversão
embalada pelo vento suave...
ali, no seu jardim.
MJMS

















